terça-feira, 24 de setembro de 2013

Brumas


Brumas

Onde há brumas há flagelos
de corpos sequiosos
através de crateras inabitáveis

Há calor nos olhos verdes
sobre terras imprevistas
dum perigo inultrapassável.

E na suavidade de uma estrela
sentem-se os lírios amantes
em encontros imprevistos

Mas as brumas vaidosas
cantam o fado vadio
por campos serenos… 

Pedro Valdoy

Eis-me Aqui


Eis-me Aqui 

Toquei à campainha
e apareceste tu
como uma fada
coberta de cetim

Eis-me aqui
com a alma delirante
perante o teu rosto
acetinado   brilhante

As saudades eram imensas
meu corpo definhava
sem a tua presença
mas eis-me aqui delirante

Lembras-te dos nossos passeios
na praia coberta de sonhos
onde as ondas beijavam
teus delicados pés?

Mas agora estou aqui
recheado de surpresas
para um amor
que não terá fim.

Pedro Valdoy


Ignorância


Ignorância

Quando os ventos sopram
atravessam mares
deslizam pelas montanhas
ao nascer do Sol

soltam-se as amarras  da ignorância
desde as horas do nascimento
milagre tão belo e sensível
num despertar  consciente

A princípio num deslize lento
mas progredindo para a vida
para a realidade do ser
o conhecimento evolui

Até o Universo sorri
com uma nova evolução
do saber e da dúvida
como o cintilar de uma estrela.

Pedro Valdoy

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Minha Paixão


Minha Paixão

Minha Paixão
reflecte-se no espelho
coberta de sensualidade
com teus beijos de mel

Teus olhos belos
recheados de ternura
perdidos de prazer
estremecem meu coração

É uma paixão bela
para a eternidade do belo
sinto teu corpo luzidio
na fragrância do tempo

Nossos desejos
são comuns inéditos
como o beijo de uma flor
no quarto de uma união.

Pedro Valdoy  

domingo, 22 de setembro de 2013

Recordações


Recordações

Eu recordo
a inocência de um pecado
na nudez dos miúdos de rua
por terras de África

Eu recordo
a pacatez de uma aldeia
com mulheres em questiúnculas
pela vaidade de um homem

Eu recordo
jardins cobertos de anémonas
de rosas   de tulipas
do beijo das abelhas

Eu recordo
a tempestade de um naufrágio
por mares infindos
dominadores do Universo

Sim   também
o beijo daquela miúda
e quando passeava por estradas
de cetim branco.

Pedro Valdoy


Caminhos


Caminhos

Caminhos cruzados
num ritmo incerto
para onde não sei
numa incerteza sólida

As pegadas separam rumos
numa travessia longa
mas impenetrável
na solidão dos tempos

Na vida a travessia
ultrapassa o desconhecido
na firmeza de uma rocha
perdida no absoluto

Na infantilidade
com a falta de incerteza
os passos são desconexox
numa família mesmo feliz.

Pedro Valdoy

Desejos Passados


Desejos Passados

Num corpo de mulher
Sente-se o odor sereno
da sua nudez
pelo campo das rosas

É o desejo prematuro
pela ternura acabada
nos seios tensos
na eternidade de uma luz

É o passado recente
de dois corpos exangues
em épocas férteis
na embriaguez do sexo.

Pedro Valdoy

Melodia Atonal


Melodia Atonal

Arnold em fiúza
Schonberg atonal
na melodia dos tempos

Um violino desgarrado
na montanha dos sons
em noite transfigurada

Arritmia da sinfonia
numa sala coberta
por aplausos para a eternidade

Um dó desfigurado
na melodia do amanhã
pelo universo sombrio.

Pedro Valdoy

No Adormecer de um Povo


No Adormecer de um Povo

No adormecer de um povo
a escuridão é completa
No firmamento uma luz
lentamente se eleva
com o sorriso da Lua
Seus tentáculos beijam a terra
espraiam-se pelo mar
de minúsculas estrelas
brilhantes   saltitantes
O irradiar fraco do sol
transparece na quietude
da Lua redonda   cheia...

E o povo desperta.

Pedro Valdoy

Meus Passos


Meus Passos

Meus passos descompassados
deambulantes pela neve gelada
sofrem trespassam minha alma
triste pelo sofrimento deste povo

No poleiro sorrisos
em prol do capitalismo
desenfreado e louco
com dádivas aos ricos

Mas meus ouvidos
não suportam o choro da fome
a raiva e o ódio
invade minha alma

A arrogância e o cinismo
pisa a compaixão
os gritos do desespero
trespassam a pátria em sangue…

Pedro Valdoy